quinta-feira, 1 de outubro de 2009

UM POEMA PARA DISTRAÇÃO!

COMPRAR (Verbo Maldito)

Comprar,
Verbo maldito.
Comprar o quê?
Para quê?
Por quê?
Roupas,
Comida,
Carro.
O que vai comprar?
Como vai pagar?
Quem paga a conta?
Comprar o chinelo
Para o moleque calçar.
Comprar uma flor
Quando a namorada for visitar.
Comprar uma bolsa
Para os objetos guardar.
Comprar livros
Para o aluno estudar.
Ô verbo maldito!!
Comprar óculos
Para o ceguinho ver.
Comprar canetas
Para o poeta escrever.
Comprar juiz
Para conseguir vencer.
Comprar um curso
Para o jovem crescer.
Comprar comida
Para o faminto comer.
Comprar
Verbo maldito!!
Comprar para possuir.
Comprar materiais
Para uma casa construir.
Comprar passagens
Para o avô partir.
Comprar sapatos novos
Para a mocinha sair.
Comprar ingressos
Para se divertir.
Comprar computador
Para o trabalho imprimir.
Comprar tintas
Para dar uma nova cor.
Comprar látex acrílico
Para aplicar no interior
Pagar com quê?
Dinheiro, cartão, cheque.
Para uma sobremesa gostosa
Tem de comprar gelatina sem-sabor.
Ô verbo maldito!!
Comprar.
Não tenho meios
Por isso fico a sonhar.


Clayton Rocha
24/02/03
ATENÇÃO ALUNOS!!!!!

Eis um exemplo de texto dissertativo e, abaixo, algumas orientações. Façam vocês cada um o seu texto e me mande por e-mail, ou simplesmente apresentem-no para mim na aula.

A posição social da mulher de hoje

Ao contrário de algumas teses predominantes até bem pouco tempo, a maioria das
sociedades de hoje já começam a reconhecer a não existência de distinção alguma entre homens e mulheres. Não há diferença de caráter intelectual ou de qualquer outro tipo que permita considerar aqueles superiores a estas.
Com efeito, o passar do tempo está a mostrar a participação ativa das mulheres em inúmeras atividades. Até nas áreas antes exclusivamente masculinas, elas estão presentes, inclusive em posições de comando. Estão no comércio, nas indústrias, predominam no magistério e destacam-se nas artes. No tocante à economia e à política, a cada dia que passa, estão vencendo obstáculos, preconceitos e ocupando mais espaços.
Cabe ressaltar que essa participação não pode nem deve ser analisada apenas pelo prisma quantitativo. Convém observar o progressivo crescimento da participação feminina em detrimento aos muitos anos em que não tinham espaço na sociedade brasileira e mundial.
Muitos preconceitos foram ultrapassados, mas muitos ainda perduram e emperram essa revolução de costumes. A igualdade de oportunidades ainda não se efetivou por completo, sobretudo no mercado de trabalho. Tomando-se por base o crescimento qualitativo da representatividade feminina, é uma questão de tempo a conquista da real equiparação entre os seres humanos, sem distinções de sexo.
A linguagem do texto dissertativo

A linguagem neste tipo de texto é denotativa, isto é, preocupada com a informação. Deve ser uma linguagem impessoal e objetiva, com emprego da forma culta e formal da língua. Isto não significa que não se pode usar recursos poéticos, históricos e recursos linguísticos. Todo enriquecimento do texto é importante.
As formas verbais do texto dissertativo
Os tempos verbais dos textos dissertativos argumentativos, ou seja, do mundo comentado, são predominantemente os tempos verbais do presente. No entanto, para dar maior ênfase aos textos, ou até, menor comprometimento, pode-se usar tempos do mundo narrado, ou seja, os do pretérito. A isso é o que se chama de metáfora temporal.
Argumentação nos textos dissertativos
O que se faz num texto dissertativo é explicar o assunto, é discorrer sobre ele, é fazer uma exposição do tema. Até não se deve ter tanta preocupação em persuadir o leitor e sim, passar as informações que se pretende - passar conhecimentos verdadeiros.
Diante do tema, o autor deve se posicionar diante do assunto e, através dos seus argumentos, mostrar o seu conhecimento de mundo com clareza, com domínio da língua, selecionando os conteudos pelos seus valores reais, organizando-os de forma coesa e manter coerência entre os assuntos, os quais serão fechados na conclusão, completando assim, o ponto de vista inicial. Lembrar-se da importância da postura crítica.
São abordadas outras áreas no texto dissertativo?
Sim. Citar fatos históricos, ambientais, artísticos, da atualidade, geográficos, enfim - tudo que possa enriquecer e ilustrar o ponto de vista tomado inicialmente pelo autor.
O TEXTO DISSERTATIVO É COMPOSTO POR TRÊS PARTES ESSENCIAIS:

- Introdução:

É um bom início de texto que desperta no leitor vontade de continuar a lê-lo. Na introdução é que se define o que será dito, e é nessa parte que o escritor deve mostrar para o leitor que seu texto merece atenção.

O assunto a ser tratado deve ser apresentado de maneira clara, existem assuntos que abrem espaço para definições, citações, perguntas, exposição de ponto de vista oposto, comparações, descrição.

A introdução pode apresentar uma:

- Afirmação geral sobre o assunto
- Consideração do tipo histórico-filosófico
- Citação
- Comparação
- Uma ou mais perguntas
- Narração


- Desenvolvimento:

Na dissertação a persuasão aparece de forma explícita, essa se faz presente no desenvolvimento do texto. É nesse momento que o escritor desenvolve o tema, seja através de argumentação por citação, comprovação ou raciocínio lógico, tomando sua posição a respeito do que está sendo discutido.

O conteúdo do desenvolvimento pode ser organizado de diversas maneiras, dependerá das propostas do texto e das informações disponíveis.

- Conclusão:

A conclusão é a parte final do texto, um resumo forte e breve de tudo o que já foi dito, cabe também a essa parte responder à questão proposta inicialmente, expondo uma avaliação final do assunto.
ORIENTAÇÕES PARA UM TEXTO DISSERTATIVO

01. Interpretação do tema
Devemos interpretar cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a este implica zerar a prova de redação;

02. Levantamento de idéias
A melhor maneira de levantar idéias sobre o tema é a auto-indagação;

03. Construção do rascunho
Construa o rascunho sem se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o conteúdo;

04. Pequeno intervalo
Suspenda a atividade redacional por alguns instantes e ocupe-se com outras provas, para que possa desviar um pouco a atenção do texto; evitando, assim, que determinados erros passem despercebidos;

05. Revisão e acabamento
Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções;

06. Versão definitiva
Agora passe a limpo para a versão definitiva, com calma e muito cuidado!

07. Elaboração do título
O título deve ser uma frase curta condizente com a essência do tema.

Orientação para Elaborar uma Dissertação
- Seu texto deve apresentar tese, desenvolvimento (exposição/argumentação) e conclusão.
- Não se inclua na redação, não cite fatos de sua vida particular, nem utilize o ainda na 1ª pessoa do plural.
Seu texto pode ser expositivo ou argumentativo (ou ainda expositivo e argumentativo). As idéias-núcleo devem ser bem desenvolvidas, bem fundamentadas.
- Evite que seu texto expositivo ou argumentativo seja urna seqüência de afirmações vagas, sem justificativa, evidências ou exemplificação..
- Atente para as expressões vagas ou significado amplo e sua adequada contextualização. Ex.: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”, “justiça”, “liberdade”, “felicidade” etc.
- Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”,“pobre”, “rico” etc.; são juízos de valor sem carga informativa, imprecisos e
subjetivos.
- Fuja do lugar-comum, frases feitas e expressões cristalizadas: “a pureza das crianças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as abreviações.
- Não se usam entre aspas palavras estrangeiras com correspondência na língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.
- Não construa frases embromatórias. Verifique se as palavras empregadas são fundamentais e informativas.
- Observe se não há repetição de idéias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal empregadas), falta de concatenação de idéias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.
- Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto, verifique se a argumentação responde à pergunta. Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia.
- Verifique se os argumentos são convincentes: fatos notórios ou históricos, conhecimentos geográficos, cifras aproximadas, pesquisas e informações adquiridas através de leituras e fontes culturais diversas.
- Se considerarmos que a redação apresenta entre 20 e 30 linhas, cada parágrafo pode ser desenvolvido entre 3 e 6 linhas. Você deve ser flexível nesse número, em razão do tamanho da letra ou da continuidade de raciocínio elaborado. Observe no seu texto os parágrafos prolixos ou muito curtos, bem corno os períodos muito fragmentados, que resultam numa construção primária.
O DEMONIO RONDA NOSSA NAÇÀO

O demônio da sociedade
Pela função,
É o político sem qualidade
Os criminosos estão falando
Que o governo está vacilando,
Está perdendo autoridade.
A população está com medo
Ficando no meio do tiroteio
Os “cara” protege os “mano”
Dentro do presídio
Entra celular e até mesmo “cano”
E a política carcerária é uma “Bósnia”
Promove a bagunça e finge não saber,
Que dentro da prisão
Tem televisão para os “mano” ver
O que acontece lá fora:
A fragilidade das coisas
E pelo moderno sistema de comunicação
Manda os outros manos aterrorizarem a população.
Tem alguma coisa errada.
E a polícia, como fica nessa parada?
Precisa chamar o Exército?!!
Forças armadas pra nada!!
Some das ruas
E o terror está de volta.
O problema é social
Cultura, salário, política educacional,
Pois se o governo não investir,
O bebê já nascerá marginal.
O moleque sai da escola na favela
E faz estágio nas ruas do morro
Polícia!! Fogos!!!
Os mortais pedem socorro,
Não têm culpa pelo acaso.
Cansados, estendem o braço
E o governo com tiros,
Transforma um corpo em bagaço.
Ignorância é a chave da desgraça.
O desconhecimento pro povo é legal,
Não tem custo, é de graça!!
Na escola não se aprende a conviver
O sistema é banal.
Privilegia pouco o social,
Transformando os jovens
Em animal irracional,
Pois para matar não precisa “pensar”,
Para roubar não precisa “calcular”,
Para traficar não precisa “falar”
Basta ter sangue frio,
Coragem e cinismo
Para aterrorizar.
Um mundo em processo de paz
Não se constrói com isso.
Uma sociedade injusta
Cria dentro de cada um demônio,
E isso para o governo custa.


Clayton Rocha

11/03/03